Se
a primeira lei da termodinâmica nada mais é do que a
lei da conservação da energia adaptada para os estudos
dos fluxos de calor, o estudo mais detalhado de suas aplicações
nos mostrou que, na prática, sempre existem perdas de energia
num sistema real, pois é impossível desprezar forças
de atrito, perdas de calor no revestimento das peças, entre
outros fatores, que incluem a própria natureza física
do calor.
As
máquinas térmicas, que funcionam segundo princípios
da termodinâmica, operam em ciclos, ou seja, retornam periodicamente
ao estado inicial para, em seguida, repetirem as operações
que permitem extrair delas o trabalho desejado, a partir da entrada
de energia na forma de calor.
Assim
sendo, elas também estão sujeitas às perdas, o
que significa que apenas parte da energia fornecida na entrada
do sistema térmico efetivamente é aproveitada para gerar
energia mecânica (movimento) ou eletricidade.
Numa
máquina a vapor, por exemplo, o equipamento retira calor
(Q1) de uma fonte quente
para gerar o trabalho (W), mas parte desse
calor é perdido para uma fonte fria (no caso, o condensador).
Essa
situação ocorre também na geladeira: a fonte fria
é o congelador e a fonte quente é o meio ambiente. Já
nos motores de combustão, que usam o meio ambiente como fonte
fria, parte do calor sai para a água de refrigeração
nos radiadores e pelos gases de escapamento.
Esse fato físico pode ser mensurado por uma grandeza denominada
rendimento (R).
2. RENDIMENTO TÉRMICO
Figura 1: Rendimento Térmico.
Nota:
Máquinas térmicas trabalham com um determinado “desperdício”
de energia, que deveria ser utilizada, mas não é, já
que não participa da geração do trabalho desejado
(em Q2). É essa perda que pode ser avaliada através
da medida do Rendimento Térmico desse dispositivo.
O
rendimento de uma máquina térmica pode ser escrito como:
R = W / Q1
(1)
As
máquinas térmicas mais eficientes são aquelas que
conseguem transformar o máximo possível da quantidade
de energia que recebem em trabalho, minimizando as perdas de calor
(Q2).
Esse rendimento é expresso na forma de porcentagem.
Dessa discussão, podemos concluir que, se tivéssemos
uma máquina que não rejeitasse calor (Q2),
ela teria rendimento de 100%. Mas isso não é possível
nem nas máquinas projetadas pelo homem e nem em processos
da natureza.
O
processo de aquecimento de um corpo é um processo desordenado,
no qual a transferência de energia acontece por conta de
inúmeros choques entre moléculas. Então, transformar
uma energia “desordenada”, como o calor, num tipo
de energia mais “ordenada”, como é o trabalho
mecânico, é um processo que envolve perdas naturais.
Por conta disso, Lorde
Kelvin enunciou assim a Segunda Lei da Termodinâmica:
“É impossível construir uma máquina térmica que consiga
transformar em trabalho todo o calor a ela fornecido”.
3. TURBINA A GÁS
Turbinas são dispositivos que utilizam princípios da mecânica
e da termodinâmica para funcionarem. As turbinas do tipo a gás
operam dentro de um ciclo termodinâmico denominado de Ciclo
Brayton.
Turbinas de diferentes tipos são utilizadas em vários sistemas
e máquinas, como nas usinas térmicas a gás, nos motores a jato,
nos motores turbo de automóveis, entre outros.
O tipo de turbina que abordaremos aqui é a turbina
a gás, que utiliza carvão, gás, óleo ou reator nuclear para
operar. Nesse tipo de turbina, composta por um conjunto de três
partes significativas, um gás pressurizado é movimentado de
forma a conseguir movimentar as pás da turbina, que está ligada
a um eixo que transmite a energia mecânica.
Esse gás pressurizado pode ser obtido não só pela queima de
gás (como propano, gás natural, etc.), mas também pela queima
de substâncias como querosene de aviação. Nesse caso, o calor
gerado pela queima do combustível expande o ar, e o deslocamento
em alta velocidade do ar quente gerado movimenta a turbina.
Uma turbina a gás funciona basicamente utilizando um compressor,
que comprime o ar de admissão por alta pressão. Na câmara de
combustão, o combustível usado é queimado, gerando gases de
alta pressão e velocidade. Em seguida, a turbina propriamente
dita aproveita a energia do gás em movimento para girar (recebendo
impacto pelas pás) e transmitindo o movimento de torque para
outros dispositivos acoplados, se for o caso.
Como em toda máquina térmica, as turbinas também apresentam
perdas em sua operação, mas ainda são excelentes soluções para
a produção
de energia elétrica em usinas e para compor motores mecânicos
de alto desempenho, por exemplo.
Figura 2: Esquema de uma turbina a gás,
do tipo utilizado para geração de energia elétrica.
Fonte: pt.wikipedia.org/wiki/Turbina_a_gás
Nota: As partes principais são: compressor, câmara de combustão
e turbina.